Tuesday, September 22, 2026

Os salários de entrada continuam abaixo dos níveis pré-pandemia

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Os salários de entrada continuam abaixo dos níveis pré-pandemia e a função pública tornou-se refúgio de estabilidade para os jovens. “Quando os salários permanecem estagnados enquanto o horário ou a carga de trabalho aumenta, as pressões psicológicas e financeiras sentidas pela população irão inevitavelmente agravar os sentimentos sociais negativos”, avisa o doutorando em Políticas Públicas na Universidade Politécnica de Macau, Ben Wong. Apesar da recuperação dos principais indicadores macroeconómicos após a pandemia, a evolução não tem sido uniforme entre os diferentes segmentos do mercado de trabalho. Ben Wong observa diferenças significativas entre os salários das funções de base e os setores com remunerações mais elevadas. “Temos observado que, no setor bancário – que emprega uma força de trabalho significativa -, alguns bancos implementaram congelamentos salariais, com os salários de entrada a descerem mesmo abaixo dos níveis anteriores. Isto indica que a economia ainda não recuperou totalmente e apresenta até sinais de uma descida continuada”. Segundo o académico, os salários de funções como “segurança e limpeza situam-se atualmente entre as 10 mil e as 12 mil patacas, abaixo dos níveis anteriores à pandemia”. Nos setores do “Jogo, comércio a retalho e serviços, as remunerações médias oscilam entre as 20 mil e as 28 mil patacas”, valores “superiores ao rendimento mediano global”. Mesmo nos setores onde os salários recuperaram, a situação dos trabalhadores continua marcada pelo “aumento da carga laboral”. Wong aponta que “embora setores como o turismo e o Jogo estejam a esforçar--se por recuperar os salários para os níveis anteriores à pandemia, a carga de trabalho aumentou. Um departamento que no passado poderia ser assegurado por cinco pessoas é agora gerido por quatro, partilhando a mesma massa salarial total”. Para o académico, esta realidade reflete uma atitude de expectativa das empresas perante as perspectivas do mercado: “A falta de confiança leva as empresas a manter apenas os níveis básicos de pessoal”, em vez de “expandirem os investimentos”. “Quando os salários permanecem estagnados e o horário ou a carga de trabalho aumenta, as pressões psicológicas e financeiras sentidas pela população irão inevitavelmente agravar os sentimentos sociais negativos”, diz ao PLATAFORMA. ÍNDICES SALARIAIS COMO MARCADOR SOCIAL A instabilidade do setor privado e as dificuldades de progressão profissional estão também a influenciar as escolhas dos jovens, com a função pública a surgir como uma opção de maior estabilidade. tabilidade da economia de mercado, a estabilidade do sistema da função pública está a intensificar esta contradição”. Para Wong, a forte concorrência nos “concursos da função pública revela que os jovens se sentem inseguros e perdidos quanto às perspectivas do mercado quando escolhem uma carreira”, para procurar estabilidade. O académico aponta o desenvolvimento de Hengqin como uma possibilidade para diversificar as oportunidades profissionais. Considerando os custos relativamente mais baixos de “vida e emprego” na região, defende a criação de postos com “salários ligeiramente abaixo do segmento de 新聞局 GCS uma redução das quotas sem um mecanismo claro de saída poderá provocar uma “perda para os três lados”: as empresas podem “perder competências técnicas necessárias”, os trabalhadores “locais podem não conseguir preencher de imediato determinadas vagas especializadas” e a “ausência de regras claras pode afetar a confiança nas políticas públicas”. Wong defende, por isso, um “mecanismo de saída” de trabalhadores não-residentes “transparente”, acompanhado por dados detalhados sobre a distribuição destes trabalhadores pelos diferentes setores, obrigando as “empresas com uma proporção excessivamente baixa de trabalhadores locais a enfrentar a pressão social e a ajustar-se proativamente”. O académico identifica mesmo uma tendência para os índices salariais da função pública serem utilizados como referências para distinguir “posições sociais”. Wong compara o fenómeno à forma como “Hong Kong estabelece diferenças sociais entre quem vive em habitação pública e quem vive em habitação privada”, considerando tratar-se de uma expressão de uma “mentalidade de classe”. “Embora Macau ainda não tenha assistido a uma polarização evidente, existe uma tendência gradual nesse sentido. Tendo em conta a atual insrendimentos elevados de Macau, mas superiores aos das PME em geral”, abrindo alternativas para funções de gestão intermédia. REGRAS CLARAS PARA TNR A pressão sobre os salários tem também alimentado o debate sobre os trabalhadores não-residentes (TNR). Wong considera que, durante uma fase de “abrandamento económico, a ansiedade da população pode facilmente ser direcionada para esta força de trabalho”. O académico alerta, porém, que REFORÇAR A CONFIANÇA A tendência de descida dos salários de entrada e do rendimento mediano é, para Wong, sobretudo um reflexo da “confiança das empresas no mercado”. Macau “depende fortemente de uma indústria de serviços orientada para a exportação. Durante os anteriores períodos de expansão económica, as empresas estavam dispostas a pagar salários elevados para contratar talento; agora, tendem a reduzir custos e a otimizar recursos”. O académico considera que a situação comporta “um risco de um ciclo vicioso”. Embora a “descida dos salários não seja drasticamente evidente – funcionando mais como um regresso a uma situação em que já não é necessário ‘roubar’ talento -, as exigências das empresas em relação aos trabalhadores estão a aumentar cada vez mais. Isto elimina indiretamente um grupo de pessoas menos capazes. Se esta falta de confiança persistir, irá desencadear problemas mais amplos”. Perante este cenário, defende que a diversificação económica seja acompanhada por “políticas que apoiem a transição das empresas” e, sobretudo, por medidas capazes de “reforçar a confiança”. “A despesa financeira pública e as políticas de bem-estar não devem, de forma alguma, ser reduzidas. Devem ser introduzidas medidas mais favoráveis para aumentar a sensação de bem-estar dos cidadãos, o que, por sua vez, contribuirá para melhorar o ambiente socioeconómico global”, conclui

Plataforma 18/9/26

Sunday, August 30, 2026

Hotéis de Macau registam maior ocupação até julho desde antes da pandemia

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Os estabelecimentos hoteleiros de Macau registaram a maior ocupação média para os primeiros sete meses do ano desde antes da pandemia de covid-19, de acordo com dados oficiais.


© Shutterstock

Lusa
29/08/2026 10:50 ‧ há 1 dia por Lusa

Economia

hotéis

ADireção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) da região semiautónoma chinesa anunciou na sexta-feira que 90,6% de todos os quartos dos hotéis e pensões da região chinesa estiveram reservados entre janeiro e julho.

 

Além de representar um aumento de 1,2 pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2025, a ocupação média foi a mais elevada para os primeiros sete meses do ano desde 2019.

Os estabelecimentos hoteleiros de Macau já tinham fechado o ano passado com uma ocupação média de 89,4%, o valor mais elevado desde antes do início da pandemia.

Os hotéis e pensões do território estiveram mais cheios apesar de terem tido menos hóspedes entre janeiro e julho, 8,37 milhões, uma queda homóloga de 1,4%.

A redução sentiu-se, sobretudo, nos principais mercados de origem dos turistas - China continental e a vizinha região de Hong Kong - enquanto o número de hóspedes internacionais subiu 12,2% para 753 mil.

No final de julho, Macau tinha 149 hotéis e pensões, um máximo histórico, disponibilizando cerca de 45.300 quartos, mais 100 do que um ano antes, referiu a DSEC.

No entanto, no espaço de um ano, os estabelecimentos hoteleiros da cidade passaram a poder albergar apenas 118 mil hóspedes em simultâneo, menos 2.100 do que em julho de 2025.

No mês passado, a Direção dos Serviços de Solos e Construção Urbana de Macau disse que estava a ser construído um novo hotel, com um total de 131 quartos, e em fase de projeto mais 11, que poderão disponibilizar 1.369 quartos.

Um fator que terá ajudado os hotéis a encher os quartos foi um corte homólogo nos preços médios até junho, de 2,7% para 1.287 patacas (137 euros), de acordo com dados da Associação de Hotéis de Macau, que reúne 48 estabelecimentos locais.

Segundo o relatório da Direção dos Serviços de Turismo, a maior redução registou-se nos hotéis de quatro estrelas, cujo preço médio caiu 5,1% para 1.011 patacas (108 euros).

Em 2025, os estabelecimentos que fazem parte da Associação de Hotéis de Macau já tinham cortado em 3,5% os preços médios.

A região recebeu nos primeiros sete meses 24,5 milhões de visitantes, mais 8% do que no mesmo período de 2025. No entanto, 61,2% dos visitantes (15 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia na cidade.

O consumo médio de cada visitante em Macau, excluindo nos casinos, caiu 7,3% em 2025, para duas mil patacas (cerca de 213 euros).

Mas na primeira metade deste ano a despesa 'per capita' dos turistas não relacionada com o jogo subiu 7,8% em termos anuais para 2.123 patacas (226 euros).